Luanda - Todo o ser humano é um inquilino na terra, onde cada um deve justificar a sua passagem por este mundo. Ou seja, o mínimo que cada inquilino deve fazer durante os seus dias de vida na terra, é marcar a sua existência fazendo alguma coisa valiosa e com a qual registar o seu nome na história.
Fonte: Club-k.net
É fundamental que todo o angolano - em especial a juventude - procure diariamente questionar-se sobre qual será o seu lugar na história. No desempenho de cada um, diferenças poderão, como é óbvio, existir, quer fazendo aquilo que nunca tinha sido feito ainda, quer melhorando aquilo que já existe.
Da luta de libertação nacional aos dias actuais, os nossos avós, face aos desafios do seu tempo, lutaram contra o colonialismo e deixaram para os nossos pais, uma Angola Independente. Na sequência dos factos, os nossos pais, desafiados pelos acontecimentos do então, deram tudo de si durante 27 anos de conflito armado até alcançar a Paz da qual deram-nos como legado e prova da sua luta. É um trabalho do qual merecem de nós as devidas homenagens. Eles lutaram fundamentalmente pelo advento da independência, da paz e da democracia em Angola.
Da luta dos nossos avós e dos nossos pais, ergueu-se os alicerces de um país independente, de livre circulação e instituiu-se o estado de direito e democrático. Apesar dos avanços e recuos da nossa democracia, o facto é que ela continua de pé e vai timidamente se consolidando.Os ganhos alcançados com a independência de Angola, são de todo positivos. Todavia, a forma de se fazer a política na actualidade e o estado de coisas no país, têm dado a ideia de que o projecto da independência trazido pelos então movimentos de libertação já não se adapta ao actual contexto e nem é compatível com a realidade dos tempos do mundo fora. Está efectivamente desajustado pelo que estagnou, se quisermos, as coisas e a forma de se fazer política no país.
É óbvio que o trabalho prestado por essa geração da independência e da paz deve ser uma inspiração para a juventude, mas também uma lição para meditar e tentar corrigir os erros por onde eles falharam ao longo do processo. A juventude angolana deve todos os dias se questionar sobre qual será o seu legado para os filhos e netos? O que as futuras gerações dirão sobre a actual juventude? Como será lembrada na história?
Do actual contexto, a juventude deve doar-se na consolidação do processo da reconciliação nacional, reformar o estado de coisas e com elas a mudança dos métodos tradicionais de se fazer política no país, bem como acabar com a cultura da culpa onde as pessoas procuram culpar os outros para explicar o sucedido. E, finalmente, fazer nascer para as próximas gerações uma Angola do futuro. Uma Angola de mérito e que melhor funciona para todos os angolanos.
Precisamos construir uma Angola diferente onde a responsabilidade, entrega e a superação de todos não devem ser vistas como uma preferência, mas uma necessidade.
Cada jovem angolano deve assumir-se como um agente da mudança e da unidade. Procuramos ser responsáveis no exercício das nossas funções. Não importa o local ou tamanho do trabalho que cada um faz. Deve sempre fazê-lo com zelo, dedicação e patriotismo necessários com vista a oferecermos à nação um trabalho limpo e digno.
Ninguém pode fazer para os jovens, aquilo que eles mesmos podem fazer com as suas próprias mãos ou pensar com as suas próprias cabeças. Os problemas que a juventude enfrenta hoje, só serão bem resolvidos com a participação dos próprios jovens na busca conjunta de soluções que melhor se enquadram.
É preciso que a geração jovem reconheça o seu papel na nossa Angola, não em busca de uma certa razão, mas na conjugação de uma força anímica para concepção de um país que a todos venha orgulhar. Os debates assentes na estratégia de ataques ao mensageiro em detrimento da mensagem, só agudizam a divisão, ódio, ressentimento e não ajudam crescer, tampouco acrescentam nada do ponto de vista de valores. Não ajudam absolutamente em nada, infelizmente!
Os jovens angolanos precisam discutir ideias e projectos de como transformar o nosso país em um espaço bom para nascer, viver e até mesmo para morrer com dignidade.
Ninguém é perfeito. O único que existe está no céu e chama-se Jesus Cristo. Entretanto, apesar da nossa imperfeição, devemos lutar ser o mais justo possível nas e com as nossas acções. Procuremos promover o diálogo e a convivência na diferença, respeitando a opinião do outro mesmo com à qual não concordar.
A actual Juventude deve trazer essa Angola entre nós. Uma Angola onde a nossa convivência assente em dois pilares basilares: Camaradagem e Solidariedade. No primeiro pilar é para discutirmos abertamente, com toda a frontalidade, os nossos problemas e se necessário nos desentendermos. No segundo, é para nos defendermos como filhos da mesma pátria, independentemente das nossas diferenças ou opções político-ideológicas.
É este tipo de Angola que a actual juventude deve construir como seu legado para as futuras gerações.
Henriques Depende – Escritor